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Buongiorno, Principessa

1 nov, 2018

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Maria acordou naquele dia com um pesar no peito que não sabia explicar. Levantou, escovou os dentes e perdeu-se no momento.

A água escorria pelo ralo, tão fugaz quanto a volubilidade das relações humanas e o espelho a sugava de tal forma, que mais parecia um buraco negro direcionando-a para o mais profundo de si.

Definitivamente, ela sentia que não pertencia àquele mundo torpe e cruel. Não por se achar superior aos demais. Não. Ela apenas sentia que era diferente e algo, que não encaixava, fazia com que ela percebesse, frequentemente, que estava sozinha. Solta no mundo, ancorada nessa Terra apenas pelo laço com o único e verdadeiro amor, esse sim valia a pena e eles se bastavam.

Tudo o que sobrava, parecia demais para a amplitude de seus ombros que, apesar de fortes, estavam um tanto preguiçosos. Ela queria leveza, amor e paz. Sem mais.

Já estava cansada de entender a todos e ser a amiga que muitos precisavam, pois era aí que residia o grande problema: ela não queria ser o que precisavam. Ela precisava ser exatamente quem era, falar verazmente com o seu coração, a todos agradando, ou não.

Mas, alguns não sabiam ouvir e seus passos afundavam na lama, cada vez mais. Maria sentia por eles, por tamanha infelicidade, até que percebeu que a luz não alcança a todos e que quando a luz que emana se apaga quando chega no outro, não é mais problema dela. Ela tem que seguir brilhando. Ad aeternum…

Maria, de repente, entendia o motivo pelo qual, desde criança, sua mãe lhe dizia que ela mais parecia um E.T. Ela não parecia desse planeta, não podia ser. Tão diferente e com ideais tão utópicos que dava pena, toda vez que ela descobria não ser possível concretizá-los nessa existência.

Os humanos não tem cura. Ela pensava, enquanto a água ainda escorria pelo cano, levando embora todos os questionamentos e a deixando com apenas uma certeza: pouco importa como os humanos são, pois serei quem sou até o fim do caminhar. E, assim como o ralo levava embora toda água e sujeira, uma bela reflexão sempre arrastava pelo cano as decepções e mágoas, de modo que o dia já poderia começar leve como deveria.

 

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