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Quando o amor acaba

12 set, 2016

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O texto novo do Gregório Duvivier saltou na “timeline”, ainda cedo. O assunto era a Clarice Falcão, ex-mulher do autor. Nas linhas escritas, uma forma muito bonita e simples de falar sobre o que viveram juntos e sobre “tudo”  que ela representa para ele. Fofo e maduro ao mesmo tempo.

E não é que, horas depois, uma série de textos, problematizando o conteúdo escrito pelo Duvivier, pipocou em todas as mídias sociais?

Muitos a acusar o Gregório e classificando-o como um ex-companheiro de comportamento abusivo e opressor. Outros a implorar para que o casal volte a ficar junto, já que a declaração do rapaz o colocou num patamar de macho-desejo. Mais alguns a dizer que tudo não passa de uma estratégia de marketing, para promover o novo filme do ex-casal, mas que, por outro lado, não deixava de ser invasivo pois parecia ser desconfortável, para a Clarice, acordar e ver o seu antigo relacionamento exposto assim. E, por fim, uma coleção de gente a ditar regras e impor que todo final de relacionamento tem que ser assim. 

Então, vamos lá.

O texto do moço não parece, nem um pouco, com o comportamento de um homem opressor. Em nenhum momento, ele demonstra estar forçando a barra ou insistindo, ainda que da forma mais sutil, que a moça volte para ele e que eles retomem a relação. Pelo contrário, manifestou o reconhecimento de quantas coisas boas eles passaram juntos (ainda que com toques de romances adolescentes envolvendo moçoilas atrapalhadas) e, apesar de ter deixado bem claro que o término foi doloroso para os dois, ficou nítido também que ele reconhece a felicidade de ter vivido um grande amor, conformado, portanto, com o término. Sem neuras, galera. 

Daí para um monte de gente endeusá-lo, desejar esse homem para si e, ao não poder tê-lo, passar a “shippar” os dois, foi um pulo. No contexto em que vivemos, no qual é bem comum que homens, ao não aceitarem o término de suas relações, comportem-se de modo violento e agridam as ex-companheiras física ou verbalmente, não surpreende que um grande número mulheres encontre no texto romântico do Gregório um comportamento quase divino.

Consequentemente, passam a torcer para o retorno do casal e ficam inconformadas com uma possível recusa da Clarice. Como assim ela não quer ele de volta? Que absurdo!! E lá vai Clarice, de mocinha à vilã da novela, em três segundos. Afinal, como uma mulher – em sã consciência – pode ter a audácia de rejeitar um cara desses?

Não é assim, gente. O relacionamento acabou e sem motivo não foi. É muito fácil tornar-se especialista em relações amorosas, quando não se conhece a mínima parte do que foi vivenciado entre os dois, ali, intimamente.

Para que um casamento acabe, ele – certamente – deixou de fazer bem para alguém, em algum momento. Os motivos, aqui, não importam. Se não faz bem, se não é mais sadio ou honesto, é ponto final. E se ela não quiser voltar, nada mais correto do que respeitar a vontade e os sentimentos da coleguinha, tomarmos conta da nossa própria “vidinha”, resolvermos nossos desejos/carências e pararmos de projetá-los no outro. Cada um sabe as dores e as delícias que carrega.

Contemplando a próxima torcida: se é estratégia de marketing, funcionou ein? Parabéns aos envolvidos. Mas, não se faz necessário tornar isso um crime sem perdão, nem cabe a ninguém o julgamento sobre se tudo o que foi escrito era apenas marketing ou se, naquelas choradas linhas, existiam altas doses de sinceridade. Desconhecemos o relacionamento dos dois e, portanto, não deveríamos opinar. Eles bem sabem as verdades que carregam consigo e isso basta.

Quanto a Clarice…Ah! A Clarice… coitada! Ser exposta, assim, para o país inteiro, só porque o ex-namorado quer divulgar um filme. Ora, paremos para pensar, também, que essa cena toda pode ter sido comumente acordada pelos dois ou por suas respectivas assessorias. Pé no chão e cabeça na praticidade da vida, “brothers”. Por que ela não pode, simplesmente, ter tido conhecimento pretérito e concordado com a brilhante estratégia? Pensem nisso.

Além de tudo isso, ainda tiveram aqueles que começaram a impor regras ao dizer que: todo relacionamento deveria acabar assim. É regra atrás de regra viu?

Não, nem toda relação tem que acabar assim. Primeiro ponto: não existe receita quando falamos sobre os envolvimentos interpessoais. Não há receita para a amizade, quem dirá para as paixões e para o amor. E por falar nisso… Nem sempre um relacionamento é constituído lastreado no amor, ok?

Então, seria muito valioso se repensássemos essa urgência, do ser humano, em sair ditando regras para a vida do vizinho. A régua que mede a nossa existência no mundo, quase nunca tem o tamanho apropriado para medir a do outro. Sejamos mais realistas e reconheçamos que a vida é um bocado difícil, e nem sempre é esse mar de rosas todo perfumado.

Existem, mundo afora, incontáveis relacionamentos que não tem amor ou que nunca o tiveram. Inúmeros outros até experimentaram o amor, mas, em algum momento, algum dos dois envolvidos agiu de forma desonesta e, convenhamos, ninguém tem obrigação alguma de sair por aí redigindo odes a essas criaturas ou justificando os seus erros. Não dá né?  

Portanto, seja lá qual for o motivo que ensejou o romantismo de hoje na coluna do Duvivier, é válido absorvermos a lição positiva que ali está.  Ao final de relacionamentos amorosos, é necessário virar a página e seguir em frente, com os corações limpos das mágoas e dos ressentimentos, pois – como bem sabemos – esse tipo de sentimento é nocivo apenas para quem os nutre. É imprescindível que viremos a esquina da vida e continuemos o nosso caminhar, com a certeza de que tudo o que vivenciamos fez parte do aprendizado, sempre convencidos do mais importante: mais vale um grande amor bem vivido, do que a segurança de um amor nunca tentado. Vamos amar.

Avante.

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