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Okja e eu

5 jul, 2017

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Bem, todo mundo sabe que eu gosto de bicho, apesar de nunca ter criado nenhum. Alergias sempre me impediram e confesso que me assusta, um pouco, a ideia de ser responsável por algum ser vivo e possuir obrigações relacionadas a sua subsistência e seu bem-estar.

Depois de muito ver, na “tempolinha” das redes sociais, recomendações sobre o filme OKJA, ontem, finalmente, eu o assisti. O filme está disponível na Netflix e eu, aqui, já logo recomendo que deem uma chance para essa obra cinematográfica.

A temática é densa e é origem de diversos debates calorosos, radicais ou não, mas, no filme, é abordada de uma forma um pouco mais, digamos, leve (se é que é possível), lançando mão de cenas e personagens um tanto quanto cômicos. Talvez, e eu acredito que sim, a ideia seja mostrar o lado cruel da indústria alimentícia, mas sem chocar tanto, utilizando um formato que até meu pai (que ama filme com crianças) pudesse assistir despretensiosamente e retirar dali alguma reflexão, no final das contas.

Sem spoilers, digo que o filme me fez chorar aos montes. Não foram olhos lacrimejando, apenas. As lágrimas vertiam uma atrás da outra e eu só não chorei mais porque me segurei. E ainda aqui, enquanto escrevo, consigo ver o olhar triste dos super pigs, bem na minha frente.

O filme me tocou bastante, principalmente, no que diz respeito à crueldade desse mundo humano, que coloca em primeiro lugar a busca desenfreada pelo lucro, maculando as produções e incentivando um consumo irresponsável e sem nenhuma carga reflexiva.

Desse modo, não fica difícil concluir que o homem é quem destrói tudo em nome da ambição. Tem escravidão, massacre, desmatamento, poluição, trabalho infantil, exploração, guerras… tudo em nome de que e para quem?

Não proponho mudanças drásticas no comportamento de ninguém, nem estou aqui para ditar rótulos e moldes, mas, se eu puder aconselhar algo de bom e que pode fazer alguma diferença, eu pediria, humildemente, que nós, a partir de hoje, nos preocupemos um pouco mais com a origem e com o destino de tudo que nos cerca e que consumimos, com o problema do outro, refletindo sempre o quanto somos reféns dos poderosos endinheirados que ditam o rumo da nossa vida e fazem a gente acreditar que precisamos de algo X ou Y para ser feliz e, pior, que nos fazem acreditar que não temos escolha.

Que cada um reflita e escute a voz que fala dentro de você e se torne, pelo menos, um pouco mais consciente do papel que exerce, ao contribuir, de alguma forma, com essa podridão desse sistema no qual estamos inseridos.

Avante.

 

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