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Embrace your freedom

3 jul, 2017

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Dia desses, li em algum quadrinho que nós nos assustamos com a liberdade. Ela é aquele tipo de coisa que a gente almeja, fica quase louco se nos tiram, mas que nos amedronta quando a conquistamos, com as nossas próprias mãos. E eu experimentei isso na pele.

Me formei em 2012 e, na ocasião, eu já tinha passado na bendita da OAB. Durante todo o curso, eu imaginava que meu futuro seria ocupando algum cargo público, assim que conseguisse passar num concurso e, também, seguindo a carreira acadêmica. Mas, com a formatura e a OAB na mão, me perguntei inúmeras vezes: e se eu gostasse da advocacia? Como eu poderia dizer que não queria algo pra mim, sem nunca ter experimentado?

Foi aí que resolvi encarar a advocacia e ver o que sentiria. Pois bem… não gostei nem um pouco. Talvez, meu primeiro contato com a carreira não tenha sido tão positivo assim, talvez se fosse de outro modo eu tivesse gostado… talvez.

O fato é que detestei, principalmente, a parte de participar de audiências e ter que encarar uma série de desrespeitos. Sempre fui melhor nos bastidores, escrevendo e encontrando saídas para um série de coisas que aparecem no mundo jurídico, me divertindo nesse quebra-cabeça sensacional.

Então, depois de muito ponderar e concluir que aquilo não estava me fazendo feliz, eu decidi sair do escritório no qual trabalhava, encarar a rotina de estudos para concursos e para o mestrado (sonho <3), e frequentar o home office, todos os dias.

E não é que, inicialmente, uma das minha maiores dificuldades foi me acostumar com a ideia de ser livre? Logo isso, que era o que eu mais desejava?

Como foi difícil poder desfrutar de uma manhã de descanso e estudar/trabalhar à noite. Tirar a segunda-feira de folga e trabalhar no domingo. Sentir uma cólica e estudar meio turno, sem peso na consciência. Poder ir pro Crossfit no horário que eu bem entendesse e não me sentir um peixe fora d’água por não ter um emprego convencional. 

E, antes que cogitem, a dificuldade de adaptação não foi nem relacionada a vida financeira, porque eu trabalhava num escritório, sem nenhuma verba fixa mensal. Meu contato era de advogada associada e, portanto, tudo era na base do percentual em cima dos processos trabalhistas, que eu era responsável e à medida que eles iam finalizando. Ou seja, salvo exceções, o trabalho era uma espécie de poupança para o futuro. E, ainda assim, sem ter perdido muito na questão financeira e sem gostar muito do que eu tinha experimentado da advocacia, com a minha saída, eu tive a sensação que estar em casa tinha me transformado num “nadinha”.

Como assim eu trabalho em casa? Ma, trabalhar em casa é trabalho? E, como assim eu “só” tô estudando? Como assim as pessoas acham que eu não tô fazendo nada? Como assim eu, às vezes, também acho que não faço nada?

Calma aí, moça! “Segura a onda, Dorian Gray” e bote a cabeça no lugar!

E foi aí que percebi o quanto somos escravos do sistema e reféns de uma série de moldes e preconceitos, que fica até difícil se acostumar a ideia de ser livre, de lutar pelo que quer e de sair da bolha. É como se quanto mais a gente deseja poder lutar pelo que enche nossos olhos e faz palpitar o coração e degustar da liberdade de sonhar e realizar, menos a gente sabe o que fazer quando possui essa liberdade, na palma de nossas mãos.

Como é cruel esse modelo de viver, galera. Como é cruel um sistema e uma sociedade tão cheia de expectativas e rótulos, que nos limita tanto, ao ponto de fazer com que ser livre se torne algo tão utópico. 

É nesse esforço diário e consciente, de seguir lutando pela minha realização e contra os moldes que nos perseguem, que eu digo que nunca estive tão feliz e que não me arrependo de nenhuma decisão, descobrindo, a cada dia, quantas coisas podem nos fazer realizados e felizes.

Então, se tem uma dica que eu daria nessa segunda-feira é: não tenham medo! Libertem-se dos grilhões e abracem essa liberdade, que tá bem aí, do seu lado.

 

Avante.

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